Ao contrário do que eu pensava, Alcatraz não é o
nome do ex-presídio de segurança máxima mais famoso do mundo, mas da ilha onde
ele fica. Para chegar lá, são cerca de 20 minutos de barco, mas é necessário
fechar com a empresa que faz o traslado e a visita guiada. É a única forma para
se chegar lá. Alcatraz, para nós, sem dúvida foi o melhor passeio que fizemos
em São Francisco. Para deixar ele ainda melhor, quando chegamos à ilha eles
oferecem os headphones com áudio em português!!! Então nem é preciso ficar se
esforçando para entender tudo – pode-se simplesmente observar tudo com calma e
ter uma experiência inesquecível.
O grande barato é ouvir os relatos dos internos que passaram por lá, como Al Capone (vale a pena saber mais dele no filme Scarface), além de ter detalhes das histórias mais cabulosas das tentativas de fuga. Numa delas, um dos presidiários criou uma réplica da própria cabeça com sabonetes, colou inclusive cabelos, e posicionou na cama para fingir que dormia. Com isso ganhou tempo para fugir – mas a tentativa acabou frustrada. Apenas duas pessoas efetivamente conseguiram fugir de Alcatraz em toda sua história, e até hoje não se sabe se morreram na tentativa ou de fato tiveram sucesso, mas é fato que nunca mais foram vistos.
Pelos corredores da penitenciária, já escuros com a chegada da noite, se percebe o quão pequenas eram as celas e a ausência de privacidade para ir ao banheiro por exemplo. Como as celas ficam uma de frente para a outra e os vasos sanitários não têm cortinas ou qualquer aparato, o companheiro da frente era obrigado a compartilhar estes “momentos íntimos”.
Havia apenas um interno por cela, mas ainda assim, quando se comportava mal, seu castigo era uma estadia na solitária. Um cubículo sem mesa, cadeira, janelas ou qualquer entrada de luz. Sem absolutamente nada. Na narrativa que se ouve nos fones de ouvido, quando você está dentro desta cela, um dos ex-presidiários conta que sua estratégia para não enlouquecer no breu e na solidão era arrancar um botão da camisa, jogar para o alto, dar algumas voltas em torno de si mesmo e se ocupar de encontrar onde o botão havia caído. Quando encontrava, tornava a repetir o “jogo” para ocupar o tempo. Agora ouvir estas histórias quando se está dentro da solitária e se imaginar na situação é de dar arrepios. E esta é apenas uma das tantas histórias incríveis que se houve ao longo do tour.
Além de poder conhecer as celas, as marcas de suas
histórias de fugas, também se passa pelo refeitório, pelas salas da
administração, pelo hospital interno que ainda guarda alguns equipamentos, mas
um grande barato é a vista de São Francisco. A vista da ilha, à noite, é
maravilhosa. Eu poderia escrever quase um livro de tantas histórias épicas que
são contadas por lá, mas melhor guardar a surpresa para o passeio!
Antes de mais nada, por ser um dos passeios mais
disputados da cidade, é importante se programar e comprar os ingressos com
antecedência. Compramos online, ainda no Brasil no site da Alcatraz Cruises. Valeu a pena.
Nosso passeio era numa quinta e na bilheteria havia uma placa dizendo que só
tinham vagas disponíveis a partir da segunda-feira. E outra vantagem de comprar
antes é a possibilidade de conseguir entradas para o horário mais disputado: a
visita noturna. Custou US$ 35 cada ingresso. Foi a que fizemos. O barco parte às
18h30, do Pier 33 da avenida The
Embarcadero e o tour dura cerca de duas horas e meia. Se você só tiver
UM dia em São Francisco, vá à Alcatraz!



















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