segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Tiradentes é um charme!


Fui à Tiradentes a trabalho. Um delicioso trabalho, é verdade. Fui trabalhar no 15º Festival de Gastronomia de Tiradentes. O evento acontece todos os anos e só cresce. Reúne chefs estrelados de diversos lugares (neste ano, Peru, Venezuela, Chile e Espanha), chefs importantes de diferentes regiões do Brasil, além de oferecer extensa programação cultural, com música, dança, contação de histórias, lançamentos de livros, enfim. Dentre os períodos do ano, certamente é o mais movimentado, e,  provavelmente mais caro também. Como fui à trabalho, (felizmente para mim) não tive que pagar por hospedagem, então fiquei um pouco sem parâmetros neste quesito.
Fato é que Tiradentes é um charme! Suas ruas estreitas, feitas de pedras, guardam muitos encantos. Tudo é muito perto, então com o sapato certo, caminhar é a melhor opção. A arquitetura colonial bem conservada lembra um pouco os centros históricos de Ouro Preto e Parati. 
Uma delícia é observar as janelas das casas. No geral têm uma cortina de renda, presa em barras de madeira crua, e uma namoradeira com o queixo apoiado na mão e, não raro, no lugar da namoradeira, um senhor ou uma senhora, na mesma posição da boneca de cerâmica, observando o movimento atípico à cidadezinha de 7 mil habitantes.

Acho que sair da rotina dos grandes centros tem mesmo este ar de redescobrimento das pessoas. As pessoas se falam, se cumprimentam, falam da vida, querem ouvir da sua. Cheguei à Pousada Neusa Barbosa tarde. Depois da longa viagem de BH até Tiradentes, que levou cerca de 4 horas, tive reunião de trabalho e cheguei para me instalar por volta da meia noite absolutamente cansada e faminta. O cansaço era tanto que nem cogitei sair para comer. Fui direto pro quarto, mas ao ouvir meu resmungo de fome, o gerente da noite disse que eu podia acompanha-lo até a cozinha para ver o algo para comer. Me esquentou um leite e serviu com bolo. Sem me cobrar um centavo, sentou para conversar, contou das personalidades que já se hospedaram por lá e espantou meu mau humor.
Por conta do festival, concentrei minhas atividades no centro de Tiradentes, onde têm muitas lojinhas de artesanato e muitos restaurantes. 
No primeiro dia almocei no simpático Dona Xepa de tradicional comida mineira. Instalado em Tiradentes há quase 25 anos, o destaque ficou por conta da bonita salada, da deliciosa farofa com milho, cenoura e ovos, e do feijão preto. Muito bons. 
A batata frita e o contra-filé deixaram um pouco a desejar. 
Almocei também no Templários e no Cia do Boi, todos com atendimento muito simpático e comida caseira. A lista de opções de restaurantes é bastante grande. No próprio festival eles entregam uma programação com lista de restaurantes, pousadas, táxis e até mesmo charretes. Facilita bastante a vida.
No site do Festival dá pra encontrar todas essas informaçoes, mesmo fora da temporada. Vale a pena conferir: http://www.culturaegastronomia.com.br 
Da programação o que eu mais gostei foram os festins - jantares harmonizados especiais feitos por chefs dos mais renomados do país e do mundo - armados em pousadas lindas.
Na sexta-feira fui ao festim dos chefs André Saburó, de Recife, e do Felipe Schaedler, de Manaus. Colei aqui o menu da noite. O ponto alto, na minha opinião, ficou por conta da costela de tambaqui. 

Couscous de farinha ovinha com bacon de pirarucu, castanha fresca e pimenta de cheiro confit
Felipe Schaedler  
Bohemia Escura
Salton Gerações Brut 

Vieiras frescas laminadas, servidas sobre ora pro nóbis e algas wakame marinadas em molho spicy ponzu e flor de sal 
André Saburó
Bohemia Pilsen
Alvarinho Deu La Deu, Aega de Monção – VVerdes

Camarões marinados em mirim, grelhados na manteiga de curry vermelho, servido com mix de cogumelos shimeji e shitake em teriyaki trufado – 
André Saburó
Bohemia Confraria
Quinta das Bagéiras Espumante Grande Reserva 2002, Mario Sergio – Bairrada

Costela de tambaqui com mousseline de mandioquinha defumada e flor de sal
Felipe Schaedler
Bohemia Weiss
Maritávora Reserva Branco, Tambuladeira – Douro

Banca de Frutas
Felipe Schaedler
Bohemia Weiss
Vale D’Algares Late Harvest, Vale D’Algares



No sábado, jantei no festim preparado pelos chefs Kátia Barbosa, do Rio, e Marco Gil, de Fortaleza. Sem dúvida o destaque ficou por conta da lagosta. Segue abaixo o menu:
Tartar de pargo, leite de coco, cana de açúcar 
Salton Gerações Brut 
Marco Gil
Salada de feijão verde com bacon
Quinta da Chocapalha Arinto, Quinta da Chocapalha – Lisboa
Bohemia Pilsen
Katia Barbosa
Lagosta e manteiga da terra
Pêra Manca Branco, Fund. Eugenio de Almeida, Alentejo
Bohemia Weiss
Marco Gil
Stinco de cordeiro ao vinho tinto e ervas,  angu e agrião 
Quinta de Arcossó Reserva 2001  - Trás-os-Montes
Katia Barbosa
Doce da Vizinha com Caju e Farofa de Castanha (pré sobremesa)
Bohemia Escura
Marco Gil
Pastel de tapioca, canela e doce de leite
HM Borges Madeira Malmsey 10 anos, HM Borges – Madeira
Katia Barbosa





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